segunda-feira, 8 de março de 2010
RECTA FINAL
terça-feira, 24 de novembro de 2009
MÉTODO DE RECOLHA DE DADOS POR QUESTIONÁRIO
Na fase de observação será necessário construir os instrumentos de observação que permitam recolher ou produzir a informação. Dependendo do tipo de observação, directa ou indirecta, os instrumentos serão diversificados.
Na observação directa, onde o investigador irá proceder directamente à recolha da informação, será necessário criar um guia de observação onde o investigador registará todos os comportamentos observados.
Os métodos de recolha de dados podem dividir-se em: (i) Fonte de dados, (ii) entrevistas e (iii) questionários.
As fontes de dados classificam-se por secundárias (estatísticas, bases de dados, indicadores económicos, etc) e primárias (questionários, entrevistas, observação, etc).
Segundo Quivy e Campenhoudt (1995) os questionários consistem num método de colocar questões a um grupo representativo da população. Podem ser "de administração indirecta" quando é o próprio inquiridor a preenche-lo, a partir das respostas dadas pelo inquirido, e "de administração directa" quando preenchido pelo próprio inquirido.
Os questionários podem e sempre que possível, devem ser entregues em mãos, envolvendo assim o inquirido e as razões da sua aplicação bem explicitadas por forma a criar alguma motivação nas pessoas envolvidas, conferindo também alguma seriedade e credibilidade.
Os questionários enviados por via postal são normalmente considerados de pouca confiança pela falta de contacto e motivação. Actualmente os questionários via telefone e Internet são muito usuais.
O método por questionário é aconselhado, segundo Quivy e Campenhoudt (1995), quando se pretende conhecer uma população (modos de vida, costumes, comportamentos, valores e opiniões); analisar um fenómeno social e em todos os casos em que seja necessário questionar um número elevado de pessoas sobre uma dada questão.
As vantagens encontradas neste método prendem-se com a possibilidade de quantificar dados e proceder a relações entre eles, bem como satisfazer a exigência de representatividade do conjunto dos inquiridos. Os limites e os problemas identificados relacionam-se com questões de ordem financeira; a superficialidade das respostas por não permitirem algumas análises; não terem em conta a individualidade dos entrevistados e, quando não são seguidas as regras de construção de questionários ou a escolha da amostragem, a credibilidades dos resultados pode ser posta em causa.
Para a aplicação deste método convém que os investigadores dominem: técnicas de amostragem, de redacção, alguns programas informáticos de gestão e análise de dados de inquéritos e estatística descritiva e análise estatística dos dados.
MÉTODO DE RECOLHA DE DADOS POR ENTREVISTA
Os métodos de entrevista, pelas suas características de proximidade entre entrevistado e investigador, permitem a obtenção de informações e elementos de reflexão muito mais ricos do que com o uso do método por questionário.
O facto da entrevista decorrer frente-a-frente, e a conversa poder ser conduzida e orientada pelo investigador, facilita que o entrevistado exprima percepções, relate acontecimentos e experiências e, que o investigador consiga centrar os seus esforços nas hipóteses de trabalho. Assim, "o conteúdo da entrevista será objecto de uma análise de conteúdo sistemática, destinada a testar as hipóteses de trabalho" (Quivy e Campenhoudt, 1995, p. 192)
Existem vários tipos de entrevistas:
A entrevista semidirectiva, ou semidirigida, normalmente a mais utilizada na investigação social, é orientada por perguntas-guias, relativamente abertas, sobre as quais o investigador tenta receber uma informação por parte do entrevistado. As perguntas-guias são colocadas pela ordem que a conversa, entre ambos, encaminhar. Este tipo de entrevista é mais uma conversa moderada pelo entrevistador.
A entrevista centrada (focused interview) é mais utilizada quando o objectivo se prende em analisar o impacto de um acontecimento ou de uma experiência vivenciada ou assistida pelo entrevistado. O entrevistador tem uma lista de tópicos precisos relativos ao tema em estudo e no decorrer da entrevista vai abordando-os da forma como se desenrolarem ao longo da conversa.
Se por outro lado o objectivo for a análise de histórias de vidas utiliza-se um método de entrevistas extremamente aprofundado e pormenorizado, aplicado a poucos interlocutores, sendo assim, estas muito mais longas e divididas em várias sessões.
Segundo Quivy e Campenhoudt as entrevistas são adequadas para objectivos:
A análise do sentido que os actores dão às suas práticas e aos acontecimentos com os quais se vêem confrontados;
A análise de um problema específico;
A reconstituição de um processo de acção, de experiências ou de acontecimentos do passado.
A entrevista, segundo Quivy e Campenhoudt (1995), tem como principais vantagens o grau de profundidade que se consegue obter dos elementos em análise e a flexibilidade e a fraca directividade do dispositivo que permite recolher os testemunhos e as interpretações dos interlocutores.
Por outro lado, esta flexibilidade também é considerada uma desvantagem, pois pode intimidar todos os que não conseguirem trabalhar sem directivas técnicas precisas.
Também é apontada pelos referidos autores, como desvantagem para o uso das entrevistas o facto de, contrariamente ao método por questionário, as informações recolhidas não se apresentarem prontas para efectuar análises particulares. Deste modo, os métodos de recolha e de análise das informações devem ser construídos conjuntamente.
Outra limitação detectada na aplicação de entrevistas, e ainda ligada à sua flexibilidade enquanto método, é o facto de se poder acreditar numa completa espontaneidade do entrevistado e numa total neutralidade do investigador.
Em investigação social a utilização do método por entrevistas está sempre ligada ao método de análise de conteúdo.
Para aplicar o método, o investigador deve estar apto para retirar o máximo de elementos interessantes da entrevista, valendo-se da sua formação teórica e lucidez epistemológica, mais concretamente, do conhecimento teórico e prático elementar dos processos de comunicação e de interacção interindividual, e formação prática nas técnicas de entrevista.
Existem vários tipos de entrevistas: não estruturadas, estruturadas; face a face e telefónicas.
As entrevistas face a face ou directas têm como vantagens poder-se alterar, adaptar ou adoptar as questões consoante o caminho que a "conversa" levar; conseguir percepcionar-se algumas pistas não verbais e poder-se clarificar duvidas que poderão surgir. No entanto, é um método caro, com limitações geográficas, que necessita de alguns cuidados em termos de fiabilidade, ou seja, o investigador tem de conseguir um certo distanciamento e nunca fazer juízos de valor, que podem constranger o entrevistado e alterar os resultados, para além de ser um método em que a confidencialidade é muito dificilmente assegurada.
As entrevistas telefónicas têm como vantagens evitarem algum desconforto que pode existir nas entrevistas face a face e conseguir-se efectuar um elevado número de chamadas por dia. Porém, nas entrevistas telefónicas os entrevistados tendem a dar respostas mais curtas ou simplesmente desligar a chamada e não responder.
As entrevistas não estruturadas podem ser úteis numa fase exploratória, ajudam a desenvolver melhor os quadros teóricos e a desenvolver melhor questionários e entrevistas estruturadas. Enquanto que as entrevistas estruturadas poupam tempo e contribuem para codificar a informação.
Ao optar-se por o método por entrevista e antes de construir um guião de entrevista é necessário:
- decidir o que se pretende;
- questionar o que é necessário, se o método será a melhor forma de recolher a informação pretendida;
- delinear um esquema de questões;
- escolher o tipo de entrevista;
- refinar as questões;
- considerar posterior análise das respostas.
Depois do guião elaborado será aconselhável:
- testar o esquema e revê-lo se necessário;
- evitar parcialidade;
- seleccionar os entrevistados;
- marcar as entrevistas;
- requerer autorizações hierárquicas;
Ao realizar a entrevista o investigador deve:
- indicar claramente o objectivo da entrevista;
- controlar e tentar manter o tempo previsto para a sua duração;
- verificar exactidão de dados com o entrevistado;
- requerer autorização caso opte por gravação de voz e/ou vídeo;
- ser honesto e usar de bom-senso
Fontes:
BELL, J. Como Realizar um Projecto de Investigação. Lisboa: Gradiva, 1997
QUIVY, Raymond ; VAN CAMPENHOUDT, Luc — Manual de Investigação em Ciências Sociais. Lisboa: Gradiva, 2008
http://www.uac.pt/~jpedro/medoogia_investigacao/200809/cap6.ppt (consultado Novembro 2009)
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
ETAPAS DO PROCESSO DE INVESTIGAÇÃO
Pegando nos princípios fundamentais de uma investigação, apresentados por Quivy e Campenhoudt (2008), podemos dividir uma investigação em três grandes fases, sub-divididas em sete etapas:
1. Ruptura
- Pergunta de partida
- Exploração
- Problemática
2. Construção
- Problemática
- Construção do modelo de análise
3. Verificação
- Observação
- Análise das Informações
- Conclusões
A fase da Ruptura é onde o investigador "deve" quebrar preconceitos e falsas evidências que dão a ilusão de compreensão das coisas. Na fase de Construção, pretende-se que o investigador consiga definir as proposições explicativas do fenómeno a estudar, delinear o plano de pesquisa e as operações e, prever as consequências esperadas. A ultima fase, a da Verificação, pretende que através da verificação dos dados se possa inserir a investigação no estatuto científico.
Penso que estas três fases podem ser consideradas comuns a qualquer paradigma seguido pelo investigador, sendo depois, diferenciada nas etapas a seguir, nomeadamente nas metodologias utilizadas e métodos aplicados.
A etapa mais importante e fundamental, na construção de uma investigação, é a pergunta de partida. Investigar é procurar o (um melhor) conhecimento e para isso devemos definir muito bem um fio condutor, evitando desvios e angústias, mesmo que este seja provisório e reformulado numa etapa seguinte.
Uma boa pergunta de partida deve ser: (i) clara, por forma a evitar-se várias interpretações da mesma; (ii) exequível, ou seja, realista principalmente no que respeita aos recursos pessoais, materiais e técnicos; (iii) e pertinente, evitando cair em juízos de valor mas sim, tentando compreender. Para isso, a pergunta deve ser "aberta", dando espaço a várias respostas e não a uma resposta preconcebida; deve abordar o estudo do que existe ou já existiu, e não do que se prevê que vá existir.
A segunda etapa, a da Exploração, vem dar consistência à pergunta formulada através de um trabalho de leituras, entrevistas ou outros métodos exploratórios. Com as leituras o investigador mune-se de informações já recolhidas por outras investigações sobre o tema de estudo, seguindo ou alterando as correntes de pensamento. Nesta prática é comum o investigador se perder com muitas informações e portanto é essencial seleccionar-se criteriosamente um pequeno número de leituras, que sejam proveitosas, que estimulem a reflexão crítica e a imaginação do investigador. As entrevistas podem ser úteis como complemento das leituras, pois podem permitir ao investigador um primeiro contacto com/ sobre os objectos de estudo, de uma forma não directiva, em forma de conversa, permitindo assim novas ideias.
No final desta fase o investigador pode reformular a sua pergunta de partida.
A terceira fase, a Problemática, diz respeito à forma como o problema vai ser abordado e, pode-se desenvolver em dois momentos: na realização de um balanço das problemáticas possíveis partindo dos estudos exploratórios e, na escolha do quadro teórico que sustenta a investigação.
A quarta etapa, a da Construção do modelo de análise, consiste em definir as dimensões e os indicadores dos conceitos e, levantar hipóteses.
A quinta etapa, a Observação, compreende o conjunto de procedimentos que vão confrontar o modelo de análise com os dados observáveis. A escolha do método utilizado nesta etapa depende das hipóteses levantadas e que tipo de informações pretendemos recolher de modo a recolher dados pertinentes.
A sexta etapa, a da análise das informações, trata a informação recolhida na fase anterior com vista a comparar os resultados obtidos com os esperados a partir das hipóteses.
Na última etapa, a das conclusões, é apresentado o resultado da investigação seguindo três fases: apresentação da retrospectiva dos procedimentos adoptados, dos contributos para o conhecimento originados pelos estudo e, das considerações de ordem prática.
Quivy, R., Campenhoudt, L. V. (2008). Manual de Investigação em Ciências Sociais. Lisboa: Gradiva.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
PARADIGMAS DA INVESTIGAÇÃO EM EDUCAÇÃO
Grande parte das investigações em Educação pautaram-se por este modelo, e trouxeram avanços significativos na forma como encaramos o ensino, a aprendizagem e a educação mas tornou-se muito limitativa, principalmente quando os investigadores se começaram a interessar pela forma do pensamento cognitivo. Havia a necessidade de recorrer à observação, de submeter os sujeitos a entrevistas e de registar as suas formas de pensamento.
As análises de Kuhl (1970) foram responsáveis pela mudança de paradigma por o anterior se mostrar incapaz de resolver ou responder a problemas que se iam colocando. Apareceu assim a investigação qualitativa (também conhecida como interpretativa), dando mais importância aos pormenores descritivos.
No paradigma qualitativo são consideradas várias interpretações da realidade, consoante o número de investigadores que a interpretam.
Os modelos utilizados entre os dois métodos de investigação, quantitativa e qualitativa, também diferem. Pode-se afirmar que o objectivo primordial da investigação quantitativa é generalizar os dados obtidos a toda a população e para isso, utiliza métodos estatísticos. Na investigação qualitativa recorre-se mais à participação observante e à entrevista em profundidade.
Tentando aprofundar as formas de pesquisa qualitativa, Godoy (1995) identifica três diferentes possibilidades de abordagem:
- a pesquisa documental, com a análise de materiais ainda não tratados analiticamente ou reexaminados com o intuito de uma nova interpretação. Esta abordagem é muito utilizada quando se pretende estudar pessoas a que não temos acesso físico, ou por estarem distantes ou terem morrido;
- o estudo de caso, onde se faz uma análise aprofundada de uma unidade de estudo visando o exame detalhado de um ambiente, de um sujeito ou de uma situação em particular;
- a etnografia, oriunda da Antropologia tem-se destacado como uma das mais importantes abordagens. Este método envolve o contacto directo do investigador, utilizando técnicas de observação, participação nas actividades e contacto directo com o objecto de estudo.
Muitos teóricos e investigadores consideram que a combinação entre os métodos quantitativo e qualitativo, numa investigação, são uma mais valia. Para Duffy (1987) os benefícios traduzem-se na possibilidade de:
- complementar controle dos desvios (quantitativa) com compreensão da perspectiva dos agentes envolvidos no fenómeno (qualitativa);
- juntar identificação de variáveis específicas (quantitativa) com uma visão global do fenómeno (qualitativa);
- completar um conjunto de factos e causas associados à metodologia quantitativa com uma visão de natureza dinâmica da realidade;
- enriquecer constatações obtidas sob condições controladas com dados obtidos dentro do contexto natural da sua ocorrência;
- reafirmar a validade e confiabilidade das descobertas pelo emprego de técnicas diferenciadas.
Na investigação contemporânea em educação não se colocou de parte nenhum destes paradigmas, no entanto, cada vez mais é utilizada a investigação qualitativa que segundo Bogdan (1994) se caracteriza por cinco pontos: (i) a fonte directa de dados é o ambiente natural, constituindo o investigador o instrumento principal; (ii) é descritiva; (iii) os investigadores interessam-se mais pelo processo do que simplesmente pelos resultados ou produtos; (iv) os investigadores tendem a analisar os seus dados de forma indutiva e (v) o significado é de importância vital na abordagem qualitativa.
O terceiro paradigma é o Sócio-crítico, que segundo Bravo (1998) se baseia-se nos seguintes pressupostos: (i) nem a ciência nem os procedimentos metodológicos empregues são “assépticos” puros e objectivos. A investigação constrói-se a partir das necessidades naturais da espécie humana e depende das condições históricas e sociais. A ciência é apenas um tipo de conhecimento entre outros; (ii) o tipo de explicação da realidade que oferece a ciência não é objectiva nem neutral. De acordo com as teorias do conhecimento de Habermas o conhecimento humano possui três interesses: técnico, prático e emancipatório; (iii) é a ideologia que possibilita a compreensão do real de cada indivíduo, descobrindo os seus verdadeiros interesses. A emancipação realiza-se nos aspectos libidinal, institucional e ambiental.
BOGDAN, R., BIKLEN, S. (1994) – Investigação Qualitativa em Educação. Colecção Ciências da Educação. Porto: Porto Editora, 1994.
BRAVO, C.; EISMAN, B. (1998) – Investigación Educativa. 3ª Ed. Sevilha: Ediciones Alfar, 1998.
GODOY, Arilda S., Pesquisa qualitativa - tipos fundamentais, In revista de Administração de Empresas, v. 35, n. 3, Mai/Jun. 1995, p. 20-29
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414-32831997000200004&script=sci_arttext&tlng=pt (acedido em 20/10/09)
http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/ichagas/mi2/Fernandes.pdf (acedido em 22/10/09)